Durante anos, alguns objetos da IKEA entraram em tantas casas que pareciam destinados a desaparecer no fundo de um armário. O curioso é que, quando deixam de ser fabricados, alguns ganham uma segunda vida completamente diferente: passam a ser procurados no mercado vintage e podem atingir valores muito superiores aos de quando eram vendidos nas lojas.
É o caso do Skamt, um pequeno soliflore colorido da IKEA associado à decoração dos anos 1990 e 2000. A peça existia em várias cores, entre elas rosa, laranja, amarelo, roxo, verde e azul, e também podia ser encontrada em conjuntos. O desenho simples ajudou a torná-lo fácil de combinar, mas é justamente a variedade de cores que hoje interessa particularmente a quem coleciona objetos vintage.
O fenómeno diz muito sobre o mercado de segunda mão: um objeto não precisa de ter sido caro ou raro no seu lançamento para se tornar desejável décadas depois. A combinação entre nostalgia, desaparecimento do catálogo e procura por determinadas versões pode alterar completamente o seu valor percebido.

Por que uma peça barata pode ficar cara depois de sair de linha
O preço de um objeto usado não é determinado pelo valor que tinha na loja. No mercado vintage, entram em jogo fatores como disponibilidade, estado de conservação, procura e interesse histórico ou estético. Quando uma peça desaparece do catálogo, quem deseja exatamente aquele modelo deixa de poder comprá-lo novo e precisa procurar exemplares usados.
Foi isso que aconteceu com o Skamt. Segundo os exemplos reunidos na fonte original, exemplares individuais chegaram a aparecer por 25 euros, enquanto um conjunto de dois vasos verdes era anunciado por 30 euros. Já conjuntos maiores, reunindo várias cores, alcançavam valores significativamente superiores.
Um lote completo de 10 vasos chegou a ser anunciado por 350 euros, enquanto outro conjunto de nove peças aparecia por 75 euros. Esses valores não significam que qualquer Skamt guardado numa cave valha automaticamente essa quantia. São preços de anúncios e servem sobretudo para mostrar como a procura pode afastar o objeto do seu antigo preço de entrada.
A coleção completa é mais interessante do que uma peça isolada
Há uma razão simples para os conjuntos chamarem a atenção: colecionadores tendem a valorizar a possibilidade de reunir diferentes variantes de um mesmo objeto. No caso de uma linha produzida em várias cores, ter uma seleção ampla pode ser mais interessante do que possuir apenas um exemplar.
Isso também cria uma situação curiosa para quem está a arrumar a casa. Uma caixa com pequenos objetos decorativos antigos pode parecer pouco importante até alguém reconhecer um modelo descontinuado. Antes de deitar fora uma peça antiga da IKEA, vale a pena identificar o modelo e verificar como está o mercado de segunda mão.
O estado de conservação, naturalmente, faz diferença. Riscos, manchas, peças partidas ou alterações provocadas pelo uso podem reduzir o interesse. Da mesma forma, fotografias claras, identificação correta do modelo e indicação da cor ajudam a perceber melhor o que está efetivamente a ser vendido.
Não é apenas o Skamt que ganhou uma segunda vida
A procura por IKEA vintage vai muito além dos pequenos vasos. A fonte original também destaca luminárias que já não fazem parte do catálogo, incluindo a Skojig, associada ao designer Henrik Preutz, e a Likta, que em determinados anúncios de revenda aparecia com valores de até 100 euros.
Há ainda casos muito mais extremos entre os móveis antigos. Um dos exemplos citados é o cadeirão Impala, desenhado por Gillis Lundgren. A peça foi lançada em 1972 por 37 euros e, num caso referido na matéria original, chegou a ser vendida por 2.300 euros num site de peças em segunda mão.
A diferença entre os 37 euros originais e os 2.300 euros posteriores é enorme, mas não deve ser interpretada como uma promessa de valorização para qualquer móvel antigo. O mercado de colecionismo é irregular: modelos específicos podem disparar enquanto outros permanecem baratos durante anos.
O que fazer se encontrar um desses objetos em casa
O primeiro passo não é colocar um preço elevado num anúncio. É identificar corretamente a peça, procurar marcas ou referências no objeto, confirmar se o modelo foi descontinuado e comparar anúncios semelhantes, dando atenção ao estado de conservação.
Também convém separar preço pedido de preço efetivamente pago. Um vendedor pode anunciar um vaso por determinado valor sem que exista comprador disposto a pagar aquela quantia. Essa diferença é essencial para não confundir uma peça anunciada como “rara” com uma peça realmente valorizada pelo mercado.
No caso do Skamt, a verdadeira história está menos na ideia de que “um vaso velho vale uma fortuna” e mais na transformação de um objeto quotidiano em peça de nostalgia. É exatamente esse tipo de mudança que torna o mercado vintage interessante: aquilo que parecia banal quando estava em toda a parte pode ganhar outro significado quando deixa de estar disponível.





