Jadyn Sawyer tinha acabado de fazer onze horas de estrada. Estudante de ecologia na Universidade da Geórgia, estacionou o carro no parque do campus depois de uma viagem longa vinda de Nova Jersey. Foi aí que reparou numa pata a espreitar por baixo do veículo.
Era um gatinho de cerca de dez semanas, ainda vivo, depois de ter percorrido escondido praticamente 1 300 quilómetros agarrado a algures no chassis do carro.
«Não, não é nesse sentido — ele está DENTRO do meu carro»
A cena começa com um telefonema à mãe. Ainda em choque, Jadyn não consegue explicar-se bem, e o mal-entendido é imediato.
«Disse-lhe: há um gato no meu carro. Ela respondeu-me: Jadyn, baixa os vidros. Eu disse: não, não é nesse sentido, ele está DENTRO do meu carro», contou a estudante à Atlanta News First.
Segundo o relato de Jadyn, o animal ter-se-á escondido sob o carro ainda em Mount Laurel, Nova Jersey, e ali permaneceu durante toda a viagem até Athens, na Geórgia.
Uma roda desmontada — e uma oficina que recusou ser paga
A polícia do campus tentou primeiro desapertar parafusos por baixo do carro, sem sucesso. Chegou depois Kelly Bettinger, fundadora da associação local Cat Zip Alliance, acompanhada de outra voluntária. O resultado foi o mesmo: o gatinho estava demasiado encravado no chassis para ser retirado à mão.
«Confesso que o coração me apertou no início, porque pensei que já não estivesse vivo. Mas, por sorte, ele miou e mexeu-se quando lhe toquei na pata», descreveu Kelly Bettinger.
Sem outra solução no local, o carro seguiu para uma oficina Tires Plus, em Athens. Os mecânicos colocaram o veículo no elevador e retiraram a roda da frente do lado do condutor — só assim foi possível libertar o animal. Estava esfaimado de calor e ofegante, mas sem qualquer lesão visível; bastaram alguns minutos junto ao ar condicionado para acalmar. A oficina recusou cobrar pelo serviço.

Um funcionário da oficina notou que este tipo de resgate não é propriamente inédito — mas o contexto, sim. Normalmente, os gatos refugiam-se debaixo dos carros quando está frio, à procura de calor, não em pleno mês de agosto. «Este, no entanto, fez uma viagem e tanto», resumiu.
O gatinho estava melhor do que se temia
Examinado no dia seguinte, o balanço veterinário revelou-se muito menos grave do que a cena fazia prever: apenas uma infeção respiratória alta e coccidiose, um parásita intestinal comum em gatinhos nascidos na rua — nada relacionado com a própria viagem.
Recebeu o nome de Jersey, em homenagem ao estado onde tudo começou. Inicialmente desconfiado, depressa se mostrou brincalhão e faladorm, gosta de colo, e está hoje numa família de acolhimento, à espera de ser esterilizado, chipado e vacinado contra a raiva. Resgates fora do comum como este não são assim tão raros nos abrigos americanos — tal como aconteceu com esta cãdela resgatada que só encontrou conforto abraçada a uma pitbull na casa de acolhimento.
Por que os gatos se escondem debaixo dos carros
Rita Reimers, especialista em comportamento felino na Carolina do Norte, explica que este reflexo não tem nada de excecional: um gato assustado procura abrigo, e não tem a mesma noção do que constitui um espaço seguro que nós temos.
«Os gatos conseguem esconder-se nos espaços mais pequenos que existem. Se a cabeça passa, o corpo também passa».
O conselho de Rita Reimers vale o ano inteiro, não só no inverno: dar umas pancadas no capô antes de arrancar, sobretudo em zonas onde vivem gatos de rua.
Jersey vai fazer o mesmo trajeto — mas desta vez em segurança
Ninguém esperava este desfecho: Jersey não vai ficar na Geórgia. Segundo Kelly Bettinger, a irmã de Jadyn Sawyer e o noivo, que vivem em Nova Jersey, decidiram adotá-lo. O gatinho vai regressar exatamente ao ponto de onde partiu — desta vez com viagem planeada para a primeira semana de setembro, de forma muito mais segura e confortável do que a de passageiro clandestino.





