Um peixe pode parecer impecável na embalagem e ainda assim levantar dúvidas quando chega a hora de prepará-lo. A aparência ajuda, mas não conta toda a história — especialmente quando o produto já está cortado e embalado.
Antes de escolher um peixe fresco no balcão, há um gesto simples que pode fornecer uma pista importante: aproximar-se e verificar o cheiro. A recomendação é atribuída ao especialista em produtos do mar Julian Klenda, da Maine Lobster Now, e é especialmente útil quando o produto está exposto e pode ser avaliado diretamente.
Peixe fresco não deve ter um cheiro forte
Existe uma ideia bastante difundida de que peixe fresco precisa ter aquele cheiro intenso de mar. Na realidade, um produto em boas condições tende a apresentar um aroma discreto, limpo e, dependendo da espécie, levemente marinho.
O sinal de alerta aparece quando o odor é muito intenso, azedo ou lembra amónia. Nesse caso, não vale a pena tentar disfarçar o cheiro com temperos ou assumir que o cozimento resolverá o problema. É mais prudente escolher outro produto.
O cheiro, porém, é apenas uma das verificações possíveis. Órgãos de segurança alimentar também destacam que a prevenção da contaminação cruzada é essencial ao manipular peixe e outros alimentos crus. Isso significa manter os produtos crus separados dos alimentos que já estão prontos para comer.
Quando a embalagem está fechada
O teste do cheiro não é tão simples quando o peixe está dentro de uma embalagem selada. Nesse caso, observe primeiro a data indicada na embalagem e procure sinais de deterioração ou problemas no acondicionamento.
Uma embalagem deformada, aberta ou danificada merece atenção. Também é importante observar o próprio peixe quando ele está visível: a carne deve parecer húmida e firme, não seca, excessivamente opaca ou flácida.
Peixe inteiro e produtos congelados exigem outros sinais
Quando se trata de peixe inteiro, os sinais visuais mudam. Olhos claros e brilhantes e guelras com coloração viva são características tradicionalmente associadas a um produto fresco; olhos turvos e guelras acastanhadas são sinais menos favoráveis.
Já nos congelados, a atenção deve voltar-se para o estado do próprio alimento e da embalagem. O peixe deve permanecer completamente congelado e o invólucro não deve apresentar danos que indiquem problemas de conservação.
O cheiro não substitui a segurança alimentar
Há uma distinção importante: verificar a frescura não é o mesmo que provar que um alimento está livre de microrganismos perigosos. Um peixe pode não apresentar sinais evidentes de deterioração e ainda exigir cuidados adequados de conservação e preparação.
Por isso, depois da compra, mantenha o peixe refrigerado ou congelado conforme as instruções da embalagem e lave cuidadosamente utensílios e superfícies que tenham entrado em contacto com o produto cru. A USDA recomenda lavar tábuas e utensílios com água quente e detergente após o contacto com peixe, carne ou aves crus, além de evitar que os seus líquidos atinjam alimentos prontos.
No supermercado, portanto, aqueles poucos segundos antes de colocar o peixe no carrinho podem ser úteis. Se o produto estiver exposto e for possível avaliá-lo, o cheiro é uma pista rápida que não custa nada verificar. Mas, quando a embalagem impede essa avaliação, data, integridade da embalagem, aparência e conservação passam a ter um papel ainda maior.
Mais importante do que encontrar um único “teste infalível” é combinar vários sinais e, diante de dúvidas reais sobre a conservação do alimento, simplesmente não arriscar.





