Investir nem sempre é apenas uma questão de números. Por vezes, uma oportunidade desperta de imediato uma emoção — um bairro de que se gosta particularmente, um local carregado de memórias, ou um sonho antigo que finalmente parece ao alcance. Foi exatamente isso que aconteceu a Alice, uma jovem de 30 anos com uma ideia pouco convencional: comprar um lago.

Do van estacionado à beira de um lago, ao negócio da vida
Aos 30 anos, Alice leva uma vida a alta velocidade, dividida entre investimentos e formações. Mas por detrás dessa hiperatividade escondia-se uma necessidade visceral de desligar.
«A primeira paragem que fiz com a minha van foi junto a um lago. Senti-me em paz e, naquele momento, disse para mim mesma que, para o meu equilíbrio pessoal, seria ótimo ter isso perto de casa», confidenciou a investidora à publicação Figaro Immobilier.
Em 2024, começou a procurar — e encontrou a rarávia no Lot-et-Garonne, no sudoeste de França: um terreno de três hectares, com um lago extenso e duas habitações. Negociado por 370 mil euros (sem contar despesas notariais), o conjunto passou oficialmente a ser seu em 2026. Um dos edifícios, de 70 m², tornou-se o seu refúgio pessoal; o segundo, de 130 m², estava destinado a um futuro bem diferente.
Um financiamento colaborativo com 48 investidores
Para concretizar este projeto ambicioso, Alice contraiu um empréstimo de 300 mil euros. As poupanças próprias e a ajuda da família permitiram arrancar com a obra, mas o orçamento continuava apertado. Em vez de recuar, recorreu ao empréstimo entre particulares — e conseguiu angariar 215 mil euros junto de 48 investidores, com um contrato a cinco anos e juros de 4%.
«Das pessoas que participaram, penso que conhecia cerca de 70%. Os restantes 30% descobriram-me através do LinkedIn e do Instagram», explicou.
Uma visão comunitária, não um retiro isolado
Viver como eremita nunca esteve nos planos de Alice.
«Tenho um lado muito extrovertido. Costuma pensar-se que, para estarmos rodeados de gente, temos de viver na cidade», sublinhou.
A solução foi transformar este refúgio de paz num centro comunitário e rentável: a casa maior tornou-se um espaço de coliving para criativos e empreendedores, duas cabanas flutuantes foram instaladas na água para arrendamento sazonal, e estão previstas tiny houses para completar a oferta. Um antigo armazém agrícola vai ainda ser transformado em espaço de seminários e coworking, com o aval da câmara municipal local — uma abordagem à propriedade que, tal como a jornalista que construiu a sua própria tiny house ou o casal que recuperou uma quinta abandonada de 160 anos, mostra como cada vez mais gente encontra novas formas de reinventar espaços antigos.
Um investimento pensado para render 140 mil euros por ano
O projeto avança a bom ritmo. Lançada em abril de 2026, a primeira fase de exploração (cabanas e coliving) prevê já gerar 40 mil euros de faturação no primeiro ano. Mas a rentabilidade real só é esperada para 2028: uma vez concluído o projeto por completo, as projeções financeiras de Alice apontam para 140 mil euros de receita anual.
Em detalhe: 30 mil euros vindos do alojamento flutuante, 35 mil euros do coliving, 30 mil euros de eventos no antigo armazém, e 45 mil euros das tiny houses. Uma aposta arrojada que combina serenidade e rentabilidade.
«Esse sonho que tinha, um pouco distante, de um dia comprar um lago, é finalmente realizável — sem que, para isso, eu tivesse de me isolar sozinha no meio do campo e perder todos os meus laços sociais», confidenciou Alice.





