Árvores com quase 80 cm de diâmetro destruídas à noite: câmara oculta revela o responsável inesperado

Num terreno privado em Lacougotte-Cadoul, uma pequena localidade francesa no departamento do Tarn, algo estava a destruir árvores durante a noite — e ninguém conseguia perceber o quê. O proprietário, dono de um lago privado rodeado de árvores, começou a encontrar troncos com entalhes profundos, cortados em bisel, e pedaços de madeira espalhados pelo chão junto às raízes.

As marcas eram limpas e precisas de mais para serem obra do acaso ou de um simples desgaste natural. Pareciam feitas por uma ferramenta — mas era sempre de noite, e nunca havia ninguém por perto quando o dano acontecia.

Perante o mistério, o homem decidiu fazer o que qualquer pessoa curiosa faria hoje em dia: instalou câmaras noturnas apontadas às árvores mais afetadas, à espera de finalmente perceber quem — ou o quê — andava a atacar o seu terreno.

Árvores com quase 80 centímetros de diâmetro afetadas

A resposta veio depressa. Segundo o relato ao jornal francês La Dépêche du Midi, as imagens captadas mostraram que um castor visitava regularmente o terreno para se alimentar e trabalhar nos troncos. O animal não poupava sequer os exemplares de maior porte:

«Ele atacou árvores com quase 80 centímetros de diâmetro. Nem sei se algumas vão conseguir sobreviver», confessou o proprietário do terreno.

Para quem imagina um castor como um animal discreto e inofensivo, o tamanho dos danos surpreende — mas faz sentido à luz da biologia da espécie.

Tronco de árvore com marcas profundas de mordidas de castor, cortado em bisel, junto a um lago

Um animal noturno com dentes que nunca param de crescer

O castor é um animal noturno que vive junto a linhas de água e se desloca sobretudo quando tudo está calmo — exatamente as condições em que o proprietário do terreno nunca o via em ação. A sua alimentação é inteiramente vegetal: ervas, folhas, ramos jovens e, sobretudo, casca de árvore. É precisamente para chegar às partes mais tenras do tronco, a casca e os ramos novos, que o animal rala a madeira com tanta insistência.

Há ainda uma razão adicional para este comportamento: os incisivos do castor crescem continuamente ao longo da vida, e roé-los contra madeira dura é a forma natural de os manter afiados e no tamanho certo. Um único animal, com tempo e paciência noturna, consegue por isso deixar marcas visíveis em troncos de grande porte sem que ninguém o veja fazer.

Uma espécie que quase desapareceu da Europa

O que torna este caso ainda mais interessante é o contexto por trás da própria presença do animal. O castor-europeu foi caçado quase até à extinção no continente por causa da pele, da carne e do castoréo, uma secreção usada em perfumes — chegando a restar apenas cerca de 1.200 exemplares em toda a Europa no início do século XX. Graças a décadas de projetos de reintrodução e proteção legal, a população recuperou de forma notável: hoje ultrapassa 1,2 milhões de indivíduos em toda a Europa, com França entre os países onde a espécie voltou a estabelecer-se com sucesso.

É exatamente por isso que histórias como esta — um castor a instalar-se num terreno privado e a causar danos visíveis — são cada vez mais comuns em zonas rurais europeias: não é um sinal de anomalia, é o resultado direto de uma espécie protegida a recuperar território que ocupava há séculos.

Uma solução sem conflito com a lei

Como o castor é uma espécie protegida na União Europeia, capturar ou afugentar o animal à força não era uma opção legal para o proprietário. A solução encontrada foi mais simples e igualmente eficaz: esvaziou parcialmente o seu lago, tornando o local menos atrativo para o animal continuar a instalar-se ali.

A estratégia resultou. Desde janeiro que não volta a ser sinalizado nenhum castor no terreno, e a saúde das árvores restantes deixou de estar ameaçada. Um final sem confronto, que mostra como pequenas alterações no ambiente podem resolver conflitos entre pessoas e vida selvagem sem que seja preciso recorrer a qualquer tipo de dano ao animal.