As cascas de batata, cenoura, cebola ou outros restos vegetais parecem inofensivas quando acabam na cozinha. Mas há uma diferença importante entre dar-lhes um destino adequado e queimá-las ao ar livre. Em França, essa prática é proibida para particulares, e a regra também abrange outros resíduos verdes do jardim.
O detalhe surpreende porque queimar restos orgânicos pode parecer, à primeira vista, uma maneira rápida de reduzir o lixo. Na realidade, a legislação trata esses materiais como resíduos verdes e determina outras formas de eliminação. A multa pode chegar a 750 euros quando a proibição é desrespeitada.
As cascas também entram na proibição
Folhas secas, relva cortada, restos de podas e cascas de frutas e legumes fazem parte da categoria de resíduos verdes. O Service-Public francês confirma que eles não devem ser queimados no jardim, seja numa fogueira improvisada ou num incinerador doméstico.
Existem exceções muito específicas, que podem depender da situação local. Em determinadas circunstâncias, uma autorização excepcional pode ser concedida pela prefeitura ou pelo município, por exemplo quando não existe uma solução de recolha adequada. Por isso, não basta assumir que uma prática é permitida porque acontece há anos numa determinada região.
O problema não é apenas a lei
Mesmo deixando a questão da multa de lado, a queima de resíduos vegetais não é uma solução ambientalmente neutra. Quando esse material está húmido, a combustão tende a ser menos eficiente e pode produzir mais poluentes. A Anses alerta para emissões de partículas finas, compostos orgânicos voláteis e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos associados à queima de resíduos verdes ao ar livre.
O risco é especialmente relevante porque o fogo acontece perto do solo e das casas. O fumo pode incomodar vizinhos, reduzir a qualidade do ar nas proximidades e afetar mais quem tem maior sensibilidade respiratória. A própria análise da Anses destaca que as condições meteorológicas e a humidade do material podem influenciar a quantidade de poluentes libertados.
Então, o que fazer com as cascas?
Na maioria dos casos, há alternativas muito mais simples. As cascas e outros resíduos vegetais podem ser encaminhados para compostagem ou aproveitados como matéria orgânica, desde que isso seja compatível com o método utilizado. Também é possível recorrer às soluções de recolha de resíduos verdes disponíveis na localidade.
O mais importante é verificar as regras do município antes de decidir o destino dos resíduos. Em França, o próprio Service-Public recomenda contactar a mairie para saber quais sistemas de recolha existem e se alguma derrogação é aplicável.
Assim, aquela pequena pilha de cascas que parece demasiado insignificante para merecer atenção pode acabar por criar um problema desnecessário. Queimá-la não é simplesmente uma questão de bom senso doméstico: pode ser uma infração e ainda contribuir para a poluição do ar. Para estes resíduos, compostagem, paillage ou recolha apropriada são opções muito mais seguras.





